Ervas de Verão

02-10-2020

Our forefathers acknowledued their God as the giver of gifts, but saw those gifts only in the abundant harvets. The Indian gave thanks to his Great Spirit for the land that gave him his corn; the white man gave thanks for his corn. The one was a naturalist, the other an industrialist.

Joseph A. Cocannouer em Weeds Guardians of the Soil


Beldroega

Bredos

Ansarina

Erva moira

Fisális

Serralha

Labaça crespa

Pica três

Nos campos que se tingem de amarelo e castanho anunciando o final da primavera, término do ciclo anual das ervas da estação húmida, destacam-se pela cor verde escura as plantas que nos farão companhia ao longo do verão. A sua compleição, por vezes intimidatória, reveladora da adaptação ao clima seco, protege-as dos herbívoros e da desidratação.


Estas plantas, muitas vezes diabolizadas e perseguidas pela agricultura (industrialista), prestam um inestimável contributo ao desenvolvimento dos solos e às comunidades biológicas em que estão inseridas. Caraterizam-se por possuírem um sistema radicular forte, que lhes permite "furar" as camadas superficiais do solo para chegar à água e aos nutrientes que, por infiltração durante a estação húmida, se acumulam nas camadas inferiores, onde ficam a salvo da evaporação causada pelo vento e pelo aquecimento das camadas superficiais do solo durante a estação seca.


O autor do livro "Weeds - Guardian of the soil", Joshep Cocannouer, um apaixonado por ervas "daninhas", dá-nos vários exemplos do contributo destas plantas para a recuperação, manutenção e desenvolvimento da fertilidade dos solos e das comunidades biológicas em que se estabelecem. Contraria a "obsessão" pela sua erradicação das culturas agrícolas, relatando os contributos que estas lhes trazem, nomeadamente por as suas raízes, mais robustas que as das culturas agrícolas, lhes servirem de "guia", permitindo que também elas atinjam as camadas mais profundas do solo e beneficiem da água e dos nutrientes aí acumulados.


Os relatos, deste e outros autores, que evidenciam as vantagens da utilização de policulturas (diversas culturas em simultâneo no mesmo terreno) face à prática corrente das monoculturas, quando reconhecidas, devem fazer-nos abdicar, pelo menos nas hortas em que o trabalho de colheita é feito manualmente, do conceito de que a organização e limpeza (tidiness), que ainda impera nos cultivos, é benéfica, sem maior inconveniente do que o de nos acharem desleixados.

Nota: utilizo o termo "policultura" no sentido lato, isto é, incluo as chamadas ervas "daninhas".


O processo de "enriquecimento" do solo é sucintamente descrito, pela Dr.ª Christine Jones, no artigo "Liquid carbon pathway", cuja leitura recomendo, como sendo o resultado da interação "simbiótica" entre as plantas e a restante comunidade biológica do solo. Este processo ocorre sempre que existem plantas a fazer fotossíntese e uma comunidade biológica no solo ativa, capaz de processar os "açucares" que as raízes das plantas exsudem para o solo. Para evitar a sua interrupção, por um período que pode chegar a 5 meses, duração da estação seca no Alentejo, é necessário que as plantas e a comunidade biológica do solo consigam atingir a água e os nutrientes se encontram preservados nas camadas inferiores do solo.


Um destes dias, um vizinho, disse-me, referindo-se à encosta onde plantei as primeiras árvores, que esta "já tinha recuperado". Julgo que o disse por ser visível nas plantas, desta encosta, um maior desenvolvimento e densidade do que na encosta fronteira. Atribuo estas melhorias ao fato de ter regado, mensalmente durante as estações secas, dos últimos 4 anos, as árvores que aí plantei, rega que terá contribuído para o aumento da humidade do solo, permitindo a continuidade do processo de enriquecimento do solo ao longo destes 4 anos sem interrupções.


Fiquei surpreendido ao reconhecer, nas ervas de verão, existentes no Vale da Lande, muitas das espécies referidas por Joshep Cocannouer no livro "Weeds - Guardian of the soil" como sendo das mais benéficas, são elas:


A Portulaca Oleracea (Beldroega)

O Amaranthus retroflexus (Bredos)

O Chenopodium album (Ansarina branca)

A Solanum nigrum (Erva moira)

A Physalis (Fisális)

A Sonchus oleraceus (Serralha)

A Cirsum Vulgare (Cardo roxo)

A Conium maculatum (Cicuta)

A Rumex crispus (Labaça crespa)

A Sinapis arvensis (Mostarda dos campos)

A Xanthium spinosum (Pica três)

Cardo roxo

Cicuta

Mostarda dos campos

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